Inteligência artificial
Onde a IA ajuda, onde ela falha, o que o sistema impõe para o erro dela não virar ato oficial e quem responde pelo documento no fim.
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01A regra da casa
A IA ajuda a escrever. Ela não decide, não assina e não responde pelo documento.
Tudo que ela produz é proposta esperando o aceite de um servidor. O que sai da Casa como ato oficial passou por decisão humana e pelo caminho de aprovação que a Câmara definiu.
Esta página conta onde a tecnologia falha. A alternativa — dizer que o sistema não erra — seria mentira e, pior, faria o servidor parar de conferir. É a falta de conferência, muito mais que o erro do computador, que produz o ato errado.
02Onde ela entra no trabalho
- Escrever a primeira minuta
- O servidor conta o que precisa, com as palavras dele. A assistente pergunta o que faltou e devolve um texto inicial para ser corrigido — economiza a página em branco, não o trabalho de revisar.
- Revisar o que já existe
- Sobre um texto já salvo, aponta problema de redação, de clareza ou de fundamentação, explicando o porquê. Cada apontamento é aceito ou recusado um a um.
- Ler o que chegou de fora
- Ofício ou requerimento de outro órgão: ela resume, destaca prazos e o que está sendo pedido, e ajuda a montar a resposta.
A conta junto ao provedor é paga pela Legisora. A Câmara não abre conta, não administra chave de acesso e não compra créditos separados.
03Onde ela erra
Não é defeito de instalação nem falta de ajuste. Um programa desses escreve a continuação mais provável do texto — o resultado sai bem escrito, o que não é a mesma coisa que sai certo.
- Inventa citação com cara de verdadeira. Número de lei, artigo e inciso seguem um padrão fácil de imitar. É o erro mais perigoso em texto legislativo — e é o que a seção seguinte trata.
- Erra conta, data e prazo. Somar valores e contar dias úteis estão entre as coisas em que ela mais escorrega.
- Lê só parte de arquivo difícil. Documento escaneado como foto, ou muito longo, é lido até certo ponto. O sistema avisa quando isso acontece, mas o resumo já reflete só o que foi lido.
- Erra sem hesitar.O texto errado sai com a mesma firmeza do certo. Por isso a conferência não pode depender de o resultado “parecer estranho”.
04O que o sistema faz a respeito
A proteção mais importante não está em pedir bem à IA. Está em não confiar nela para a parte que dá para conferir sozinho.
- A lei citada é conferida sem a IA participar
- Antes de uma norma entrar no documento como fundamento, o sistema confere por conta própria: o número existe e está no formato correto, consta quem editou a norma, ela está em vigor na data e há link para a fonte oficial — ou ela veio do acervo que a própria Casa cadastrou. Quem faz essa conferência é o programa, seguindo regra fixa; a IA não opina. Sem conferir, o sistema aponta a lacuna em vez de preencher.
- Documento sigiloso não vai para a IA
- Marcou como sigiloso, o próprio sistema recusa mandá-lo para análise, e ele fica fora da busca. Não depende de alguém lembrar. A exceção é o arquivo avulso que o servidor envia para leitura: ali o sistema não tem como saber que o conteúdo é sigiloso, e o aviso aparece na tela.
- Nada é aplicado sozinho
- A análise só roda com autorização expressa, e cada sugestão fica marcada esperando aceite ou recusa. Aceitar cria uma versão nova, com o nome de quem aceitou.
- Nada é sobrescrito
- Se o resultado piorou o texto, a versão anterior continua lá para voltar — e a volta também fica registrada.
- Toda conversa com a IA fica registrada
- Quem pediu, quando, sobre qual documento e um resumo do que foi pedido e respondido. Esse registro não pode ser alterado depois.
E ainda assim ela pode errar. Tudo isso reduz a chance de um texto errado passar e garante que dê para reconstruir o que aconteceu. Nada disso confere se o fato é verdadeiro ou se a conta fecha. Isso continua sendo leitura de gente.
05De quem é a responsabilidade
- A IA é ferramenta de trabalho. O ato administrativo continua sendo de quem o pratica, aprova e assina — usar a ferramenta não passa essa responsabilidade para ninguém.
- Aceitar uma sugestão é ato do servidor. A partir do aceite, aquele texto é dele. Recusar também fica registrado.
- O registro existe para dizer de quem foi cada decisão, não para tirar a responsabilidade de alguém — nem do servidor, nem da Casa, nem de nós.
- Publicar exige aprovação humana no fluxo da Câmara. Nenhum documento sai publicado direto da IA.
Vale a Casa aprovar sua própria norma interna sobre uso de inteligência artificial. O sistema oferece os controles; é a norma que torna o dever de conferir exigível do servidor.
06O que sai da Casa quando a IA é usada
O processamento de inteligência artificial é realizado por OpenAI, L.L.C., com servidores nos Estados Unidos da América. Isso caracteriza transferência internacional de dados pessoais, realizada com as garantias previstas nos artigos 33 a 36 da LGPD e nas cláusulas contratuais firmadas com o provedor.
Vai apenas o trecho necessário para atender àquele pedido. O acervo não é copiado para lá: documentos, histórico e busca continuam na infraestrutura contratada.
O conteúdo dos documentos não é usado para treinar modelo nenhum — nem nosso, nem de terceiro.
Detalhamento em Proteção de dados.
07Dá para usar o sistema sem a IA
Sim, por completo. Redigir, versionar, tramitar entre setores, aprovar, publicar e auditar funcionam sem acionar nenhuma inteligência artificial.
Foi feito assim de propósito: a IA é ajuda, não engrenagem. Casa que prefira começar sem ela — ou nunca ligá-la — usa o sistema inteiro do mesmo jeito.
O sistema traz este mesmo conteúdo para quem trabalha nele, na tela de ajuda, e repete a advertência em letra miúda ao lado de tudo que a IA produz. Conferir antes de aceitar faz parte do procedimento, não é recomendação solta.